Remada de Camburi a Boiçucanga, com parada em 2 pedaços de paraíso do litoral norte paulista

Remada de Camburi a Boiçucanga, com parada em 2 pedaços de paraíso do litoral norte paulista

Você pode chegar a muitos lugares especiais do nosso mundão mesmo que esteja apenas começando a se aventurar em remadas um pouco mais longas. Comprovei isso no último final de semana, quando fiz o meu maior passeio de SUP até agora. Em cerca de 8 km de remada (ida e volta na conta), pude contemplar três praias e dois pedacinhos de paraíso do litoral norte de São Paulo.

Fui com a companhia do Marquinhos, proprietário da loja 20 pés, cara que já tem bastante experiência em remadas por São Sebastião. Começamos o passeio pelo Rio Camburi (entre Camburi e Camburizinho), a escolha mais tranquila para uma entrada no mar em Camburi e prática se a intenção é subir a costa. Se a maré estiver cheia e o mar pequeno, você entra sem muita dificuldade.

De lá, dobrando a esquina, chegamos rápido em Camburizinho, onde estava a nossa primeira parada, a Prainha de Camburizinho, um pedaço de areia de não mais de quinze metros de extensão que fica tímido na lateral esquerda de Camburizinho. Uma praia dentro de outra, uma pérola dentro de outra, como uma pequena surpresa da natureza. Tinha ido à Prainha duas semanas antes pela primeira vez e já estava sonhando com uma nova visita. Como se não bastasse toda a beleza, você encontra lá uma bica de água doce estratégica para dar uma hidratada antes de continuar a remada.

Stand up paddle_Prainha de Camburizinho

Prainha de Camburizinho, tímida mas acolhedora na lateral esquerda de Camburizinho

Stand up paddle_Prainha de Camburizinho 2

É uma parada estratégica para descansar e hidratar antes de continuar a remada

Quando estiver remando nas proximidades, fique atento às redes de pescadores (da outra vez que estive lá, uma delas nem estava sinalizada) e às tartarugas, que não raro aparecem para dar ainda um pouco mais de graça à região. Podia ficar horas na Prainha, mas o nosso objetivo estava um pouco mais à frente.

Seguimos viagem partindo para Boiçucanga. Remei pela primeira vez em mar aberto e senti a diferença. À bordo de uma Cruiser (prancha desenvolvida para remadas mais longas) estreita de 11 pés, levíssima mas um pouco menos estável, caí da prancha duas vezes nesse trecho, coisa que achei que já não aconteceria mais. Uma das quedas me rendeu um corte na mão (não sei muito bem como) e o lembrete importante de que ainda tenho muito a aprender. Para quem está começando, cada dia, cada mar, cada prancha traz algum novo desafio e experiência.

Passamos a remar um pouco mais próximos da costa, atravessando a praia. Com a água bastante transparente, dava para ver cardumes de peixinhos passando embaixo da prancha e algumas águas-vivas, o que me fez decidir que seria legal evitar mais uma queda (já tenho um histórico de azar com águas-vivas).

O destino final estava no outro canto de Boiçucanga. O Pesqueirinho, uma parte de mar abraçada pela costa, na lateral da praia. O segundo paraíso da remada. Diferente da Prainha, não há nenhuma faixa de areia no Pesqueirinho. Então lá o negócio é sentar na prancha e apreciar a tranquilidade, a natureza preservada e o som dos pássaros. O mais interessante desse passeio todo foi observar como é especial cada pedacinho da natureza, cada um com a sua própria configuração, e perceber as sensações que você sente neles.

Stand up paddle em Boiçucanga_Pesqueirinho

Na sombra deliciosa do Pesqueirinho, vista para todas as ilhas ainda a serem visitadas

Stand up paddle em Boiçucanga_Pesqueirinho 2

Saindo do Pesqueirinho e começando o caminho de volta

Na volta, repetimos a parada na Prainha e pegamos novamente o Rio Camburi. No total, foram cerca de duas horas de remada, incluindo as paradas e descansos. Um passeio que recomendo para quem quer ganhar resistência para remadas um pouco mais longas e começar a se habituar com mar aberto. Se perceber que ainda não dá conta, uma alternativa é ir, em uma primeira vez, apenas até a primeira lateral de Boiçucanga, onde você vai encontrar uma faixa de areia um pouco isolada do restante da praia que também vale uma visita.

Duração da remada: 2 horas
Distância: 8 km
O que levei: Apenas um GoPro

Thaís Viveiro
Thaís Viveiro é jornalista e praticante de stand up paddle. Está sempre atrás de dicas e experiências para evoluir na arte de remar em pé. Costuma remar no litoral norte de São Paulo.  •  Ver todos os posts