Pantanal: uma aventura de stand up paddle por um dos ecossistemas mais ricos do mundo

Fotos: Leandro Ferraz
Pantanal: uma aventura de stand up paddle por um dos ecossistemas mais ricos do mundo

Remar de stand up paddle no Pantanal não é para qualquer um, mas também não é um sonho impossível. O remador e instrutor de SUP Leandro Ferraz, do Mau Loa SUP (SP), fez uma viagem de dois dias de carro em outubro para participar da competição de stand up do Pantanal Extremo, no Mato Grosso do Sul, e me contou um pouco sobre a experiência de remar no “reino das águas”, como também é chamada a região.

“Tem uma boa estrutura. Você pode alugar um barco de pescador, em Corumbá, ir para o meio do Rio Paraguai de barco e voltar remando a favor da correnteza. Fiz duas vezes esse trajeto. Um iniciante pode ter dificuldade, o volume de água é bem intenso e é importante estar bem familiarizado com o ecossistema.”

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Jacaré, capivara, ariranha e sucuri são alguns dos animais que podem aparecer ao longo da remada. É importante estar preparado para lidar com as companhias. Para isso, não há segredo: a coisa é conversar com o pessoal local e tirar todas as dúvidas sobre os perigos da região.

O jacaré, por exemplo, não é um grande perigo para o remador. “Remei a quatro metros de distância de um. Ele olha, vira as costas e vai embora”, conta Leandro. Já um bichinho bem menor, a abelha africana, merece atenção. “Você não vê, não ouve. É bom ficar longe das margens muito fechadas para evitá-las, é uma das dicas dos pescadores locais.”

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Ariranha é outro animal que você deve ter no radar.”Se estiver com filhote, ela pode ser bem agressiva, é melhor manter distância.” Se você tiver algum ferimento, é melhor ficar longe também das piranhas.

De resto, há toda a passarada do Pantanal. Tuiuiú, araras em bandos, papagaio e maritaca. Imagina só o som disso tudo. “Remar lá é mágico. É uma fauna e flora estupidamente preservadas”.

Para garantir a segurança, Leandro recomenda fazer as remadas com barco de apoio. Uma opção para quem quer explorar bastante a região é se hospedar em um barco-hotel.

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Se quiser fazer uma remada mais longa, um roteiro bacana é ir até a Bolívia. São 6 km contra o rio e a volta é a favor da correnteza. “Saindo do porto geral de Corumbá, tem uma bifurcação. O braço da esquerda vai para a Bolívia, enquanto que o outro segue para o norte”, explica Leandro.

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Além de uma medalha de terceiro lugar na categoria amadora, Leandro trouxe muitos elogios da segunda edição do Pantanal Extremo. “Foi o melhor evento de stand up que eu participei na minha vida. Muito organizado. É um evento da prefeitura, com apoio do Exército e da Marinha”.

Não é uma prova para iniciante. Afinal, são 30 km de remada. Ainda assim, além dos atletas de ponta do SUP, o remador conta que algumas pessoas foram pelo passeio, como desafio pessoal. Alguém aí encara?

Se interessou, fica de olho no site do evento para acompanhar as novidades da próxima edição da competição.

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Thaís Viveiro
Thaís Viveiro é jornalista e praticante de stand up paddle. Está sempre atrás de dicas e experiências para evoluir na arte de remar em pé. Costuma remar no litoral norte de São Paulo.  •  Ver todos os posts