8 animais que você pode encontrar remando de stand up paddle pelo litoral sudeste do Brasil

Foto: Projeto Tamar
8 animais que você pode encontrar remando de stand up paddle pelo litoral sudeste do Brasil

Remar de stand up paddle no mar é entrar em um ambiente em que nós somos minoria. Conforme você se distancia da areia, menor é o número de humanos e maior é a variedade de espécies embaixo do pranchão. Como o SUP é silencioso e não tem praticamente nenhum impacto ambiental, é uma plataforma muito bacana para quem gosta de observar as criaturas do mar. Veja alguns animais que, com um pouco de sorte ou azar, você pode encontrar durante uma remada pelo litoral sudeste do Brasil:

TARTARUGAS MARINHAS

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As tartarugas verdes são normalmente avistadas perto de costões rochosos, ilhas e parceis (Foto: Projeto Tamar)

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Apesar de serem comuns no litoral brasileiro, é uma espécie que corre risco de extinção (Foto: Projeto Tamar)

As tartarugas verdes são as principais companheiras dos remadores no litoral norte paulista e sul fluminense. Elas são encontradas normalmente perto de costões rochosos, ilhotes e parceis, onde buscam alimento e refúgio. Quando estão ativas, em busca de alimento, elas gastam mais energia e precisam subir à tona mais vezes para respirar – é nesse momento que geralmente são avistadas pelo remador. Em lugares em que a água é mais transparente, é possível observar as tartarugas submersas enquanto elas se alimentam. Outra espécie que também frequenta a região, só que mais rara, é tartaruga de pente. Ainda que bastante presente nas remadas, todas as tartarugas marinhas encontradas no Brasil estão em listas nacionais e internacionais de espécies ameaçadas de extinção.

PEIXES-VOADORES

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Peixes-voadores conseguem planar por algumas dezenas de metro fora da água

Parece invenção de desenho animado, mas é criação da natureza mesmo. Para fugir de predadores ou até de pranchas e barcos, os peixes-voadores conseguem planar por algumas dezenas de metro rente à superfície da água. Eles saltam em grande velocidade impulsionados pela nadadeira caudal, e, com as nadadeiras peitorais muito desenvolvidas, seguem planando fora da água.

GOLFINHOS

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Algumas espécies de golfinhos aproximam-se mais da costa (Foto: LABCMA)

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O boto-cinza é mais fácil de ser avistado, já que é maior e desloca-se em grupos grandes (Foto: LABCMA)

Existem em nosso litoral algumas espécies de golfinhos mais costeiras, mas eles são bastante tímidos na nossa presença. O boto-cinza é mais fácil de ser avistado, já que ele é grande (ele tem cerca de 2 metros) e se desloca em grupos grandes (de 10 a 100 indivíduos). Por conta da velocidade, é difícil alcançá-los. Uma boa ideia se avistar um grupo deles é mergulhar na água e tentar ouvir seus sons. Os golfinhos assobiam para se comunicar e emitem estalidos para se orientar no ambiente. Se eles estiveram tagarelando, será uma experiência ímpar.

BALEIAS

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Hoje mais rara na região, a baleia-franca aparecia praticamente todo ano em São Sebastião e Ubatuba

As baleias já foram mais comuns na região. As fêmeas e filhotes de baleia-franca fazem uma pausa no litoral norte de São Paulo durante o inverno e primavera para descanso e amamentação durante a migração para o sul. Elas apareciam praticamente todo ano no canal de São Sebastião e Ubatuba, mas a ocupação desordenada do litoral e o aumento da circulação de embarcações tem as afastado da região. Caso tenha a sorte de encontrar uma por aí, não force a amizade. Uma mamãe baleia é capaz de fazer o que for necessário para afastar qualquer ameaça ao seu filhote.

ÁGUAS-VIVAS

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Várias espécies de águas-vivas circulam pelo litoral do sudeste do Brasil (Foto: Cifonauta)

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A maioria delas, principalmente as maiores, não é muito urticante (Foto: Cifonauta)

São várias as espécies de água-viva que circulam em grupo pelo litoral durante o ano inteiro (algumas aparecem mais no verão, outras no inverno). A maioria delas não queima, mas, por via das dúvidas, é melhor evitar o contato. As maiores, sobretudo, costumam ser inofensivas. Não se apavore e contempla a beleza delas.

CARAVELAS

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Mantenha distância: as caravelas queimam muito e têm tentáculos compridos

Essas, sim, devem ser temidas. Se vir uma, mantenha distância. As caravelas queimam bastante e seus tentáculos são longos, com metros de comprimento. Elas são mais comuns no inverno e primavera. De cor azul-arroxeada, as caravelas não pulsam como as águas-vivas, mas flutuam e, como uma vela, movimentam-se com a ajuda do vento.

CTENÓFOROS

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Em uma remada noturna, os ctenóforos podem criar um rastro de luz atrás da prancha (Fonte: Cifonauta)

O ctenóforos são organismos bem pequenos, mas têm um efeito bastante interessante. Eles deslizam na água e, quando a luz bate, funcionam quase como arco-íris, refratando a luz. A maioria das espécies é bioluminescente. Se há algum estímulo mecânico (o contato com o remo, por exemplo), eles emitem um flash de luz. Conforme a situação, pode criar um rastro de luz atrás da prancha durante uma remada noturna.

AVES MARINHAS

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O atobá mergulha até dois metro na água para pegar peixe

Vale a pena ficar de olho também no que vem de cima. O atobá, com sua plumagem escura e peito branco, cai como uma flecha na água e mergulha um ou dois metros para pegar peixe. Já a fragata e o tesourão, voam alto e pegam o peixe na superfície da água – algumas vezes, roubam a pesca do atobá. Essas aves são mais comuns perto de ilhas, onde descansam e reproduzem.

Fontes: Alvaro Migotto (CEBIMar), Marcos César de Oliveira (Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos), Berenice Gomes (Projeto Tamar), Fernando Gibran (UFABC).

Thaís Viveiro
Thaís Viveiro é jornalista e praticante de stand up paddle. Está sempre atrás de dicas e experiências para evoluir na arte de remar em pé. Costuma remar no litoral norte de São Paulo.  •  Ver todos os posts