Livre, de Cheryl Strayed: a pé pela costa oeste dos Estados Unidos

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Livre, de Cheryl Strayed: a pé pela costa oeste dos Estados Unidos

Quase três meses sem remar. Em março, deixei temporariamente São Paulo e nosso litoral e vim para o Canadá. Os motivos da viagem são todos ótimos, mas sempre tem aquelas coisas que nos fazem falta. A prancha que ficou no Brasil, as tartarugas que sempre encontrava nas remadas e, principalmente, o calor.

Calma, vai ter muita remada por aqui. Assim que as temperaturas subirem um pouco. Enquanto isso não acontece, vou me distraindo com outras coisas. E uma das minhas maiores distrações nas últimas semanas, e que me deixou ainda com mais saudade das remadas, foi esse livro aqui abaixo: na edição brasileira, Livre, de Cheryl Strayed.

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Talvez alguns de vocês tenham visto o filme baseado no livro, lançado em 2014 e estrelado por Reese Whiterspoon. Para quem não viu, Cheryl nos conta sobre os três meses em que percorreu sozinha 1700 km da Pacific Crest Trail, ou simplesmente PCT, uma trilha na costa oeste dos Estados Unidos, que liga o México ao Canadá, passando por montanhas, montanhas com neve, montanhas em temperaturas extremas, ursos e serpentes.

Não tem nada de stand up paddle no livro, nem um barquinho sequer. Mas a história toda tem algumas boas conexões com mundo das remadas. Primeiramente, recomendo a leitura para quem é fascinado por travessias.

Toda a parte prática e a preparação que uma aventura dessas envolve é muito interessante. As caixas de suprimentos que Cheryl envia para alguns pontos estratégicos da trilha, por exemplo, para que não falte comida. Ou a relação que ela cria com a sua mochila, tão carregada no início da viagem que ganha o apelido de Monstro. Aos poucos, Cheryl vai desenvolvendo uma relação quase afetiva com Monstro e as coisas que ele carrega, apesar de ter que deixar muito equipamento pelo caminho ou queimar as páginas de seus guias à medida que os lê para aliviar o peso.

Indo um pouco além, o livro traz uma reflexão legal sobre conexão com a natureza. Cheryl não era nenhuma especialista em trekking quando dá seus primeiros passos na PCT, ao contrário da maioria das pessoas que encaram esse desafio. Ela estava na real com a vida arruinada e embarca na Pacific Crest Trail sem saber muito bem o que vai encontrar, mas na esperança de conseguir de alguma forma retomar o controle de sua vida. Aos poucos, a autora vai descobrindo e discorrendo sobre os efeitos da trilha e dos dias sozinha na natureza.

Ainda que as nossas aventuras sejam bem diferentes e provavelmente muito mais leves, vale a pena ler e, quem sabe, refletir um pouco mais sobre por que afinal uma remada nos faz tão bem.

Thaís Viveiro
Thaís Viveiro é jornalista e praticante de stand up paddle. Está sempre atrás de dicas e experiências para evoluir na arte de remar em pé. Costuma remar no litoral norte de São Paulo.  •  Ver todos os posts