Bate-papo com Bart de Zwart: aventuras, longas travessias e conselhos para iniciantes

Jean-Claude Desanti
Bate-papo com Bart de Zwart: aventuras, longas travessias e conselhos para iniciantes
Bart chegando em Bora Bora depois de 4 dias de remada

Bart de Zwart  fez algumas das travessias mais loucas e longas já realizadas de stand up paddle. Foi de SUP em 2011 de uma ponta do Havaí até a outra (Big Island a Kauai), uma viagem de 5 dias e 5 noites, quebrando o recorde de maior travessia solo realizada sem assistência. Isso mesmo, sem barco de apoio ou algo do tipo. No ano seguinte, remou sozinho da Inglaterra até Holanda, mais uma viagem inédita. Em 2013, se aventurou pelas águas geladas e icebergs do Ártico. A última façanha de Bart foi a travessia do Tahiti a Bora Bora, uma remada de 4 dias em mar aberto. Impossível não ser fã do cara.

Para minha felicidade e graças ao Facebook, consegui bater um papo com Bart e, além de dar algumas dicas sobre SUP, ele me contou um pouco do que está por trás das suas aventuras invejáveis. Confere aí:

Você acabou de chegar de mais uma travessia incrível. O que te leva a fazer travessias longas como essa?

Gosto de fazer travessias solo e sem assistência por duas razões. Adoro o desafio de chegar onde ninguém chegou antes e gosto desses desafios mais difíceis porque eles te fazem colocar os dois pés no chão. Se você faz alguma coisa muito difícil, a vida depois é simplesmente um pouco mais bonita. Você aprecia mais tudo ao seu redor, amigos, natureza, comida, família.

Como você lida com o medo durante uma travessia?

Para ser honesto, eu não tenho medo durante uma travessia. Se você tem medo, eu não acho que você deve fazer a travessia. Vou bem preparado e muito confiante de que nada vai dar errado. Assim, não existe medo, só cuidado e respeito.

Na Expedição do Ártico, você usou uma prancha inflável e, dessa vez, você escolheu uma rígida. Então, inflável ou rígida? Na sua opinião, quais são os prós e contras dos dois tipos em uma remada de longa distância?

Eu uso uma inflável para expedições em que é muito difícil ter uma prancha rígida, como na Groenlândia no ano passado. Viajar com uma inflável é muito fácil, o que faz dela uma prancha ideal para muitas aventuras. Para travessias mais longas, eu prefiro a rígida porque ela é um pouco mais rápida e eu posso usar um leme na parte da frente, que facilita quando há ventos laterais e dá um pouco mais de segurança. Até se quebro a prancha, ainda tenho toda a flutuação. Em rios, uma inflável é, no geral, melhor porque há menos chances de quebrar. Então, para cada aventura eu prefiro uma ou outra e muitas você pode fazer com as duas.

Qual é o seu conselho para praticantes que estão começando a fazer travessias?

Quando você faz a sua primeira aventura, faça uma simples e não vá muito longe, mas tente levar tudo o que você precisa na prancha para ver como é. Primeiro, uma excursão de um dia, depois alguns dias, mas perto da costa. Tente comer enquanto estiver navegando com a prancha. E não faça nada se você não tiver certeza. Eu levo vários equipamentos de segurança. Ser resgatado não é uma opção, só um recurso em último caso, quando a sua vida está em perigo direto. Eu penso em planos b caso o clima mude, penso no que posso fazer, onde posso ir. Você pode ver várias das coisas que costumo levar em meu blog.

Thaís Viveiro

Thaís Viveiro é jornalista e praticante de stand up paddle. Está sempre atrás de dicas e experiências para evoluir na arte de remar em pé. Costuma remar no litoral norte de São Paulo.

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